
Não é fácil lidar com a dor de quem amamos. Ao ver um familiar ou amigo enfrentando uma doença grave, nosso mundo parece sair do eixo. A rotina muda, as preocupações se intensificam, e um peso emocional silencioso se instala. Mesmo tentando ser forte, às vezes sentimos que vamos desmoronar também.
Quando alguém que amamos adoece, algo dentro da gente também adoece um pouco…
Recentemente, Rosalba Nable — mãe da atriz Ísis Valverde — compartilhou sua jornada ao enfrentar um câncer de mama. Seu relato emocionou muitas pessoas e serviu como um lembrete poderoso de que, por trás de cada diagnóstico, há uma família inteira tentando se manter de pé. E isso nos faz pensar: como cuidar da nossa saúde emocional quando alguém próximo está doente?
1. O impacto emocional da doença na família: o que quase ninguém fala
Muitas vezes, quem está ao redor do paciente também adoece emocionalmente. Mas esse sofrimento costuma ficar invisível. Afinal, a prioridade é o outro — e a gente vai “se virando”.
Entre os sentimentos mais comuns, estão:
- Ansiedade constante: medo do que pode acontecer, dificuldade para dormir, tensão física.
- Culpa: por não poder fazer mais, por estar cansado, por às vezes querer fugir.
- Tristeza silenciosa: uma saudade da vida como era antes.
- Impotência: a sensação de não ter controle sobre nada.
Reconhecer essas emoções é fundamental. Negá-las só prolonga a dor.
2. Como cuidar de si quando a vida exige tanto cuidado com o outro
1. Permita-se sentir
Você tem direito de estar cansado, com medo ou inseguro. Sentir isso não te torna egoísta — te torna humano. Em vez de se cobrar por estar “bem o tempo todo”, aceite sua vulnerabilidade com gentileza.
2. Converse com alguém que te escute de verdade
Guardar tudo sozinho só torna o processo mais pesado. Procure um amigo, familiar ou profissional com quem possa falar abertamente. Às vezes, só de ser ouvido, o coração já encontra algum alívio.
3. Crie pequenos momentos de autocuidado (de verdade)
Você não precisa de uma tarde inteira para cuidar de si. Pode ser:
- Um banho tomado com calma
- Uma música que te acalma
- Respirar profundamente por dois minutos
- Um chá antes de dormir
Pequenos gestos funcionam como âncoras que te mantêm firme.
3. Fortalecer quem cuida é tão importante quanto cuidar de quem está doente
É comum pensar: “Mas eu nem sou o paciente, não tenho o direito de reclamar.”
Essa ideia só aprofunda o sofrimento.
O cuidador precisa ser cuidado.
Se você desaba, quem você cuida também sente. Por isso, cuidar da sua saúde emocional é uma forma de amar melhor.
Quando a mãe de Ísis Valverde falou sobre seus sentimentos após o tratamento, ela também destacou o quanto o apoio da família fez diferença. Esse suporte emocional mútuo é o que transforma o processo — de um fardo solitário para um cuidado compartilhado.
4. O que você pode fazer agora para se fortalecer
- Escreva seus sentimentos em um caderno: não precisa ter lógica. Colocar no papel ajuda a organizar o caos interior.
- Respeite seus limites físicos e emocionais: você não precisa estar disponível 24h. Se permitir descansar é vital.
- Peça ajuda quando necessário: seja para tarefas práticas ou apoio emocional. Ninguém dá conta de tudo sozinho.
- Procure por grupos de apoio: ouvir histórias semelhantes pode confortar e mostrar que você não está só.
Conclusão: entre o medo e o amor, existe espaço para respirar
Enfrentar a doença de alguém que amamos é uma travessia difícil — mas que pode ser feita com mais leveza se aprendermos a olhar também para dentro.
Não é egoísmo se cuidar. É uma forma de continuar oferecendo presença e amor com mais inteireza.
E nos dias mais pesados, lembre-se: você está fazendo o melhor que pode. E isso é mais do que suficiente.
🌿 Ação leve de hoje:
Feche os olhos por um momento. Respire profundamente três vezes. Pergunte a si mesmo: “O que eu estou precisando agora?”
Essa escuta amorosa já é um começo.